Hospital São Francisco de Assis - Tudo por uma Vida
Notícias - Parkinson: cirurgia realizada no HSFA devolve ao parkinsoniano autonomia e qualidade de vida.

Recentemente a neurocirurgiã, Dra Carla Miranda, realizou aqui no Hospital a cirurgia de implante de eletrodo, que traz mais autonomia e independência para portadores de parkinson. 

 A seguir leia o texto da Dra. Carla explicando melhor o procedimento:

"A doença de Parkinson é uma doença degenerativa progressiva que mais comumente ocorre após os 60 anos de idade e tem como sintomas principais a bradicinesia (lentidão dos movimentos), rigidez, distúrbio da marcha, distúrbio da fala, tremores de repouso e pode também evoluir com quadro demencial. Ela ocorre devido a diminuição da produção da substância dopamina pelo cérebro.

O melhor tratamento é com o medicamento Levodopa, o qual aumenta os níveis de dopamina que se encontram baixos. A cirurgia de Parkinson está indicada nos pacientes que com o tempo de uso da medicação, desenvolvem um efeito colateral chamado discinesias (movimentos involuntários das pernas, braços e até do tronco) que são incapacitantes, e a cirurgia ajuda a reduzir as doses da medicação para melhorar este quadro. Outros pacientes também são submetidos à cirurgia, porque as medicações passam a não fazer mais o efeito satisfatório.

A indicação da cirurgia é baseada em diretrizes que foram criadas pela OMS e ANS, e geralmente o paciente deve ter o diagnóstico da doença confirmado pelo menos há cinco anos. É muito discutida a cirurgia antes deste período ,pois logo no início da doença as medicações fazem um bom efeito e como a cirurgia não é curativa ,deve ser esperada para quando já houver a falha com as medicações.

A cirurgia consta na colocação de um eletrodo de estimulação cerebral, numa estrutura profunda do cérebro, envolvida na produção da dopamina. Como mais de uma estrutura participa em conjunto nesta produção, podemos escolher qual será o melhor alvo para o paciente de acordo com os piores sintomas que tem, os quais foram descritos acima.

Inicia com a colocação de um aparelho denominado arco de estereotaxia sob anestesia local ou sedação, no setor de tomografia do hospital.

Este arco nos ajuda junto com a tomografia, uma ressonância feita anteriormente e um software próprio, a calcular em 3 dimensões as medidas que devemos usar para atingir o alvo, que podem ser: tálamo ou globo pálido ou núcleo subtalâmico. Estas estruturas são chamadas de núcleos da base. Após isto o paciente é levado ao centro cirúrgico com o arco fixado na cabeça e então inicia-se a cirurgia, com ele acordado, onde as aberturas feitas no crânio são 2 pequenos furos com anestesia local. Isto é necessário porque durante o procedimento é feito a avaliação da melhora dos movimentos, da fala e do tremor com a colaboração do paciente. Além disto, também é feito uma monitorização do cérebro para termos certeza de que estamos implantando o eletrodo no local certo. Por esta razão é uma cirurgia grande e delicada e participam vários especialistas juntos.

O paciente fica as primeiras 24 horas na UTI para monitorização de suas funções gerais e depois é encaminhado ao quarto, tendo alta no dia seguinte. As complicações  são raras, podem haver  sangramentos, pneumoencéfalo, fístula liquórica, infecções.

Como o cérebro precisa se adaptar ao eletrodo, este deve ser ligado inicialmente após 1 mês de cirurgia, pois já haveria uma cicatrização suficiente para termos uma boa resposta, e  a família e o paciente devem ser orientados que a melhor resposta realmente após 1 ano de cirurgia.

Concluindo, a cirurgia é uma oportunidade de melhorar os sintomas que a medicação não consegue mais evitar, ou quando as próprias medicações precisam ser diminuídas, porque estão dando efeitos colaterais como as discinesias." 


       
 
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